sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Caricaturista Lan morre aos 95 anos em Petrópolis, no RJ



Publicado originalmente no site do Portal G1 GLOBO, em 5 de novembro de 2020

Caricaturista Lan morre aos 95 anos em Petrópolis, no RJ

Ele morreu na noite desta quarta-feira (4) em decorrência de uma pneumonia em um hospital na Região Serrana.

Por G1 — Petrópolis

O caricaturista Lanfranco Aldo, mais conhecido como Lan, morreu na noite desta quarta-feira (4) aos 95 anos em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, em decorrência de uma pneumonia.

MEMÓRIA GLOBO: artista nascido na Itália criou vinhetas para Globo e foi caricaturista do 'O Globo'

O Hospital SMH Beneficência Portuguesa de Petrópolis lamentou e confirmou a morte do caricaturista às 22h35 desta quarta. Ele estava internado desde o dia 26 de setembro de 2020. Lan foi internado inicialmente para cuidar de uma infecção urinária, mas acabou desenvolvendo uma pneumonia.

O corpo chegou à funerária por volta das 9h20 desta quinta-feira (5).

De acordo com a família, o sepultamento será às 16h desta quinta no Cemitério de Itaipava.

A Prefeitura de Petrópolis emitiu uma nota de pesar e declarou luto oficial de três dias pelo falecimento do artista.

"O governo municipal decreta luto oficial de três dias a partir de hoje (5/11) pela morte do caricaturista Lanfranco Aldo, mais conhecido como Lan. O município lamenta a morte desse grande artista e presta condolências a sua esposa, Olívia Marinho, e a toda sua família", diz um trecho da nota.

Carreira

Nascido na Itália em 1925, Lan chegou a trabalhar também em outros países como Argentina, Uruguai e Paris, onde atuou como jornalista gráfico, mas foi pelo Brasil que se apaixonou.

Há 45 anos ele havia encontrado em Petrópolis um refúgio onde viveu com a mulher, Olívia Marinho. Em sua casa, que fica no distrito de Pedro do Rio, mantinha um ateliê com mais de 5 mil caricaturas.

Em 2019, Lan conversou com o G1 e, aos 94 anos, relembrou sua trajetória na arte.

“Ter 94 anos dá uma sensação de cansaço. Você perde agilidade em muitas coisas, mas a cabeça está funcionando bem e eu lembro de toda a minha vida. Não dia a dia, mas mês a mês”, disse ao G1.

Ele trabalhou em grandes jornais, como O Globo, Jornal do Brasil e Última Hora.

Texto e imagens reproduzidos do site: g1.globo.com

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Morre Quino, criador da Mafalda

Quino e escultura de Mafalda

Publicado originalmente no site da BBC NEWS, em 01 de outubro de 2020

Quino morreu aos 88 anos de idade

Morre Quino, criador da Mafalda: 6 coisas surpreendentes sobre a personagem e o cartunista argentino

Por Ignacio de los Reyes
Da BBC News Mundo em Buenos Aires

"Que importa a idade? O que realmente importa é perceber que, no fim das contas, a melhor idade da vida é estar vivo", dizia Mafalda.

 Nesta quarta (30/9), um dia depois de a personagem completar 56 anos desde que apareceu pela primeira vez na revista Primera Plana, seu criador morreu aos 88 anos.

Mafalda foi a personagem mais popular do cartunista argentino Joaquín Lavado "Quino", e acabou conquistando leitores aficionados em diversos países.

Ela é uma "heroína zangada, que não aceita o mundo como ele é", resumiu o escritor e filósofo italiano Umberto Eco, sobre a garotinha que protagonizou histórias de 1964 a 1973. "E reivindica o seu direito de continuar sendo uma menina que não quer se responsabilizar por um universo adulterado pelos pais."

1. Mafalda foi criada para vender eletrodomésticos

A garota que tanto refletiu sobre o capitalismo, a economia e a ordem mundial é fruto dessa mesma sociedade de consumo.

Logo após a publicação do livro Mundo Quino em 1963, seu primeiro livro de humor gráfico, Joaquín Lavado foi chamado para desenhar uma família de personagens para divulgar os eletrodomésticos Mansfield, da empresa Siam Di Tella, em uma tira de jornal. Todos com nomes começando com M.

 A menina chamava-se Mafalda, em homenagem a uma das personagens do romance Dar La Cara, de David Viñas.

A ideia era criar uma história sobre uma família que usava os produtos da marca a fim de oferecê-la gratuitamente para jornais e revistas.

Mas a campanha publicitária nunca viu a luz do dia, e Quino deixou seu bebê guardado na gaveta.

Alguns meses depois, no entanto, quando Quino foi convidado a publicar uma tirinha no Primera Plana. Mafalda finalmente chegou ao jornal em papel, dando início a sua "carreira".

2. Mafalda vive no bairro de San Telmo

Pouco se sabia sobre a casa da família de Mafalda, além do fato de ela viver com o irmão mais novo Guille e seus pais no apartamento E, num edifício onde também vivia o seu amigo Felipe.

Mas nem todo mundo fora de Buenos Aires sabe que esse prédio existia, e ainda existe, no bairro de San Telmo, na rua Chile 371, muito perto da casa de Quino.

"Mafalda viveu aqui", diz uma placa em homenagem ao edifício.

Escultura de Mafalda foi inaugurada
 em San Telmo em 2009

 Quino também se inspirou na padaria do pai de um amigo para desenhar o armazém de Don Manolo.

Hoje, na esquina das ruas Chile e Defensa, uma escultura em tamanho natural da Mafalda aguarda a chegada de turistas sentada em um banco. A obra se tornou uma das principais atrações turísticas da cidade.

3. Um livro "para adultos"

- Vou te explicar: os milibares são uma medida de pressão. Dependendo da atmosfera, pode se dizer que há uma pressão de tantos mili….

- Desculpa, papai, eu te perguntei sobre os milibares, e não sobre os militares — responde Mafalda.

A sempre crítica Mafalda nunca desceu bem para alguns setores.

Livros de Quino

Mafalda nasceu a partir de uma campanha
 de eletrodomésticos

Na Espanha, a censura da ditadura franquista (1936-75) obrigou editores a colocarem um aviso na capa do primeiro livro de Mafalda no qual dizia que era uma obra "para adultos".

Mafalda também teve problemas com a censura em outros países, a exemplo de Brasil, Chile e Bolívia.

"Simplesmente eu a tive desde o início", diz Quino sobre a censura a seus primeiros trabalhos como humorista gráfico.

"Eles me disseram: 'Rapaz, piadas contra a família não, militares não, nudez não. Eu nasci com autocensura."

4. Felipe realmente existiu e vivia em Cuba

O melhor amigo de Mafalda, Felipe, ama fantasias, assumir a identidade do Cavaleiro Solitário e adiar ao máximo o dever de casa.

Mas talvez o que mais defina Felipe sejam características físicas: dentes de coelho, rosto comprido e cabelos desgrenhados.

Essas feições são as mesmas do jornalista argentino Jorge Timossi, que trabalhava para a agência cubana Prensa Latina e era amigo de Quino.

Felipe

Felipe foi inspirado em uma figura da vida real

 "Quando eu estava na Argélia, o primeiro caderninho de Mafalda caiu sobre mim", disse Timossi ao jornal Perú21 em uma entrevista antes de morrer em 2011.

 "Eu o vi e pensei. Isso aqui me parece familiar. Pouco depois, no Chile, consegui o endereço dele e enviei-lhe um cartão no qual coloco: Quino, confessa, filho da p... E por correio recebi de resposta um pôster com o Felipito que dizia: "Justo eu tenho que ser como eu sou."

5. Mafalda até na sopa

A personagem de Quino está por todas as partes. E não apenas nos livros traduzidos para mais de 30 idiomas, entre inglês, italiano, francês, hebraico, alemão, guarani e coreano.

 Mafalda

Livros foram traduzidos para mais de 30 idiomas

 No bairro Colegiales, em Buenos Aires, há uma praça Mafalda. Em San Telmo, como dito acima, está a escultura da garota feita pelo artista Pablo Irrgang.

Na estação de metrô de Peru, na capital argentina, há um mural "O Mundo segundo Mafalda". Milhares de quilômetros dali, em outra estação de metrô, a Argentina, em Paris, Mafalda observa atentamente um mural de personalidades da ciência, da política e das artes argentinas, como Jorge Luis Borges.

6. Quino rejeitava a fama

Apesar do sucesso enorme que teve com a personagem, Quino resistiu à fama.

Durante anos ele pendurou uma placa em seu escritório que dizia: "Por motivos de timidez, não se aceita reportagem de qualquer tipo."

"Optei pelo desenho porque falar é difícil para mim", admitiu em uma entrevista.

Em outra, disse que havia decidido que sua protagonista deveria ser mulher por causa da influência do movimento de emancipação feminina dos anos 1960 e porque "as mulheres são mais espertas".

Ao longo de quase uma década, Quino publicou um total de 1.928 tiras estreladas por Mafalda.

 Escultura de Mafalda

Mafalda surgiu em 1964

 Seus desenhos populares sobre a garota com ideias progressistas também foram compilados em livros, e estes tiveram sucesso equivalente.

Em 25 de junho de 1973, Quino decidiu que já era o suficiente e publicou sua última história sobre Mafalda, seus pais, seu irmão mais novo Guille e seus amigos próximos Felipe, Susanita, Miguelito e Manolito, entre outros.

Anos depois, ele diria que fazer uma tira com personagens "é uma escravidão muito grande" e se retratava vestido de prisioneiro com desenhos em vez de listras.

Texo e imagens reproduzidos do site: bbc.com

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Mort Drucker, lendário desenhista da revista MAD, morre aos 91 anos


Publicado originalmente no site OMELETE, em 9 de abril de 2020

Mort Drucker, lendário desenhista da revista MAD, morre aos 91 anos

Quadrinista fazia as paródias de filmes da revista

Por Pablo Raphael

O quadrinista Mort Drucker, que desenhava as paródias de filmes e séries da revista MAD, morreu na quarta (8) aos 91 anos. Drucker faleceu em casa, em Woodbury, Nova York, de causas ainda não reveladas (via CB).

Colaborador da MAD por cinco décadas, Drucker se especializou em produzir as paródias de filmes, TV e sátiras políticas que ajudaram a tornar a revista MAD relevante na cultura pop. O desenhista ilustrou 238 paródias para a publicação, entre 1956 e 2008, quando deixou a revista. Seu último trabalho foi uma sátira de As Crônicas de Narnia. "Acredito que desenhei quase todo mundo em Hollywood", disse o ilustrador na época (via The New York Times).

Revista MAD deixou de publicar conteúdo original em outubro de 2019

Criada por William Gaines e Harvey Kurtzman na década de 1950, a MAD é uma das mais importantes publicações voltadas ao humor. Conhecida por seu humor ácido que satirizava tanto obras da cultura pop quanto acontecimentos sociais, o título foi um celeiro de grandes artistas como Aragonés, Don Martin, Dave Berg, Antonio Prohías, Peter Kuper e Wally Wood. No Brasil, a revista foi publicada pelas editoras Vecchi, Record, Mythos e Panini.

Texto e imagem reproduzidos do site: omelete.com.br

O Fim da MAD, a Maior Revista de Humor do Mundo

Alfred E. Neuman é o mascote da revista Mad 
Foto: Divulgação/Arte

Publicado originalmente no site da revista ÉPOCA, em 07/07/2019

O “FIM” DA MAD, A MAIOR REVISTA DE HUMOR DO MUNDO

Com baixa vendagem, a publicação americana não terá mais conteúdo novo pela primeira vez em 67 anos

Por Daniel Salgado

Foram 550 números, 22 edições internacionais e milhares e milhares de páginas de charges, tirinhas e piadas em geral. Mas, depois de 67 anos, a revista Mad, que se tornou um ícone do humor mundial, anunciou o fim da publicação de novo conteúdo. A notícia entristeceu fãs de quadrinhos em todo o mundo, mas como resumiu o comediante e dublador dos Simpsons Harry Shearer, “uma instituição americana fechou. Quem quer viver uma instituição?”.

Certamente não a Mad, que foi fundada por Harvey Kurtzman em 1952 para revolucionar o humor americano, não poupando nada nem ninguém de seus desenhos e caricaturas ácidos e senso de humor subversivo. Ao longo de suas décadas, ela influenciou dezenas de quadrinistas pelo mundo, mudou o formato do humor impresso e até criou um ícone pop: Alfred E. Neuman, seu mascote de sorriso debochado, figura carimbada em todas as capas da revistas e que trazia sempre o bordão “Quem? Eu, me preocupar?”. Esse, inclusive, é um bom resumo da postura da revista que passou por poucas e boas ao longo de sua publicação.

Para Dorinho Bastos, cartunista e professor do curso de Publicidade na USP, era essa veia satírica que fez a cabeça dos jovens ao longo de décadas: “Era uma revista mais escrachada. A Mad não era tão ideológica, mas era forte na crítica de costumes e da cultura popular. Foi um marco”.

O nascimento da Mad é, em si, uma anedota que mostra o improviso e irreverência como marca maior da publicação. Seu criador, Harvey Kurtzman, escrevia gibis para a editora Entertaining Comics, onde era pago por volume de conteúdo entregue.

William Gaines, o publisher da Mad 
Foto: Cheryl Chenet/Corbis via Getty Images

Fascinado por histórias de guerra, Kurtzman vivia a duras penas com o salário recebido pelo par de revistas que assinava, ambas trabalhosas e fruto de uma pesquisa meticulosa. Isso até receber uma proposta de seu publisher, Max Gaines. O objetivo era pensar e pesquisar menos, e daí a oferta: “Por que você não faz uma revista de humor?”.

Desde o início, a Mad de Harvey Kurtzman contou com a colaboração de ícones da banda desenhada, como Wally Wood, Will Elder e Jack Davis, mas precisou mudar de formato ainda na infância. Para driblar o draconiano Comics Code Authority, um órgão de censura vigente nos Estados Unidos durante os anos 50, o editor transformou a hq em revista. Dali para a frente, nada mais foi o mesmo.

“Foi criado um novo tipo de revista que teve 1.000 imitações. Era voltada principalmente para adolescentes. E esse jeitão de fazer a revista, tirando sarro da cultura pop, fez sucesso”, conta Ota, cartunista que comandou a edição brasileira da Mad por muitas décadas.

Chegando ao auge de circulação de 2 milhões de cópias em 1974, já sob a batuta de Al Feldstein, que comandou a revista em seus anos de ouro, a Mad marcou época na imprensa internacional por fazer críticas ácidas em todos os campos da vida pública. Não importava se era o presidente dos EUA ou a maior estrela de Hollywood, o Batman ou Jon Snow: ninguém escapava do deboche da revista.

A postura combativa, porém, não se limitava às figuras públicas. Ao longo de suas muitas décadas de história, a Mad se tornou famosa pelo trabalho autoral de seu estrelado time de colaboradores. Cartunistas como Al Jaffee, Don Martin — conhecido como o “artista mais louco da Mad” —, Sergio Aragonés, criador de clássicos como “Groo, o Errante”, e Antonio Prohías, mente por trás da série “Spy vs Spy”.

Apesar do impacto profundo que causou na cultura pop mundial, a revista que chegou a virar série de tv não vivia seus melhores anos. Isso fica claro ao olhar para um episódio recente: O presidente dos EUA, Donald Trump, chamou Pete Buttigieg, um dos candidatos à primária do partido democrata, de Alfred E. Neuman. A resposta de Pete? “Não conheço Neuman. Tive de procurar no Google”.


Série de quadrinhos Spy x Spy era uma das mais populares da Mad. Contada sem balões com diálogos, a história mostrava o conflito eterno entre os dois personagens, num interminável jogo de espionagem e sabotagem, com resultados cômicos Foto: Divulgação

As razões são muitas para a baixa na popularidade. Desde a crise de vendagens das revistas em geral, até a dificuldade do corpo editorial da Mad de se adaptar à internet e ao senso de humor das novas gerações. O resultado, porém, é bastante claro: pela primeira vez em mais de seis décadas, não haverá mais quadrinhos novos da revista mais escrachada do planeta.

SUCESSO NO BRASIL

Painel da Mad na San Diego Comic Con, em 2017.
Foto: Kevin Sullivan | MediaNews Group / via Getty Images

Por aqui, a história da Mad começou em 1974. Lançada pela editora Vecchi, a revista passaria por diversas casas, entre idas e vindas, até que cessasse de vez suas atividades em 2016. A última capa tirava sarro das então iminentes Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Em boa parte das quatro décadas em que esteve em circulação no Brasil, a Mad contou com a participação de Ota, fosse como cartunista ou editor, que relatou a história da filial tupiniquim da revista: “Outras editoras já haviam tido o direito dela na mão, mas achavam que não ia pegar por aqui. Consideravam um humor muito americano. Mas a Vecchi tentou, e foi um sucesso”. No auge, a tiragem chegou a alcançar os 200 mil exemplares por edição, até se estabilizar em 150 mil.

A revista durou até o começo dos anos 80, quando a editora foi à falência. Não demorou muito, porém, para que a Record assumisse a publicação e relançasse a Mad no Brasil, em 1984. E o sucesso voltou, mantendo o mesmo patamar até o final dos anos 90, quando a revista despencou em vendas e chegou a rodar com apenas 8 mil exemplares.

“Outras coisas apareceram, jogos e VHS, por exemplo. Além disso, as famílias foram ficando menores, e o leitor da faixa-etária da Mad parou de ter interesse na revista”, explicou Ota, que hoje faz quadrinhos autorais, inclusive de sessões clássicas da revista como o “Relatório Ota”. Na virada do milênio, a Record também abriu mão da revista, que ainda viria a ser editada pela Mythos e pela Panini, onde ficaria até seu fim.

A Mad verde e amarela, porém, não era apenas uma cópia da revista americana. Por aqui, quase metade do conteúdo impresso era produzido por cartunistas locais, boa parte das vezes brincando com referências culturais e costumes bem brasileiros.

“A gente precisava, porque tinha filmes e séries que não passavam por aqui. E nós tínhamos novelas, por exemplo. Então a gente zoava com o presidente da vez e fenômenos e celebridades locais. Até porque o material americano não era suficiente, já que lá a revista só era publicada oito vezes por ano”, contou Ota.

A influência da Mad no Brasil não foi pouca, marcando uma geração de leitores e futuros cartunistas. Como destaca Dorinho Bastos, a revista é parte da tradição do humor em quadrinhos brasileiro, assim como Pasquim, asseta Popular e Planeta Diário. Para o professor da USP, os dois últimos sendo inclusive influenciados pela própria Mad. Não surpreende, portanto, que os humoristas do Casseta & Planeta tenham prestado uma homenagem ao fim da revista em uma rede social, dizendo: “A Mad foi e sempre será um ícone do humor ácido e politicamente incorreto, revelando inúmeros cartunistas, redatores, humoristas”.

ELENCO ESTELAR

Boa parte do sucesso da Mad está associado, claro, a sua postura iconoclasta e contestadora. Mas não fazia mal à vendagem o fato de que a revista contou com alguns dos mais importantes cartunistas do século passado em suas páginas. Relembre cinco desses artistas que marcaram época:

Al Jaffee — Uma lenda viva, Al Jaffee contribuiu com a Mad por 64 de seus 98 anos de vida. Indissociável da história da revista, o cartunista fez milhares de colaborações na publicação. Dentre todas elas, porém, a mais famosa é provavelmente a secção que comandava, a “Dobradinha Mad”.

Don Martin — Conhecido como o “artista mais louco da Mad”, Don Martin tinha um estilo marcante e uma paixão por onomatopeias.

Sergio Aragonés - O espanhol Aragonés, chamado de o “cartunista mais rápido do mundo” é uma máquina de criatividade e desenho. Em uma estimativa de 2002, ele teria feito mais de 12 mil colaborações para a Mad. O certo e que Aragonés criou uma série de personagens marcantes, como “Groo, o Errante”.

Antonio Prohías - Outro falante do castelhano, o cubano Prohías trabalhou por décadas na revista. Mas, sem dúvida, é mais famoso por ter criado a tira "Spy vs Spy". Nela, dois espiões disputam uma eterna batalha de sabotagem mútua, sempre com resultados humorísticos.

Mort Drucker - Outro bastião da Mad, Drucker tem um estilo mais realista que os demais citados. Isso não o impediu de se tornar uma lenda com suas caricaturas e sátiras de personalidades da televisão e cinema.

Texto e imagens reproduzidos do site: epoca.globo.com

sábado, 28 de março de 2020

Morre, no Rio, o artista plástico Daniel Azulay

Foto reproduzida do site [nosbastidores] e postada
 pelo blog para ilustrar post

Texto publicado originalmente no site AGÊNCIA BRASIL, em 27/03/2020

Morre, no Rio, o artista plástico Daniel Azulay

Artista lutava contra leucemia e contraiu coronavírus
   
O artista plástico Daniel Azulay, de 72 anos, morreu na tarde de hoje (27), na Clínica São Vicente, na Gávea, zona sul do Rio, onde estava internado há duas semanas. O artista  lutava contra uma leucemia e contraiu o novo coronavírus (covid -19), que acabou agravando o quadro do paciente.

Em sua página em uma rede social, foi publicada a notícia da morte do artista:  “Com extremo pesar comunicamos que nosso querido Daniel Azulay faleceu hoje à tarde no Rio de Janeiro. Ele estava tratando uma leucemia e contraiu coronavírus. Sua alegria continuará em todos nossos corações para sempre. Faremos rezas virtuais para ele nos próximos dias em virtude do isolamento. Daniel, Te amamos”!!!

Entre as crianças, a criação de Daniel Azulay que fez mais sucesso foi A Turma do Lambe Lambe. Criada em 1975, o programa ficou no ar durante 10 anos, primeiro na antiga TV Educativa (TVE) e depois na Rede Bandeirantes, sempre apresentada por Daniel Azulay, que mostrou o mundo do desenho e da arte para milhares de crianças em todo o Brasil.

A volta à televisão ocorreu em 1996 com o programa Oficina de Desenho Daniel Azulay na TV Bandeirantes, que tinha vários quadros com a Turma do Lambe Lambe e introduziu também o personagem Azulinho, uma versão da Emília, de Monteito Lobato, de Daniel Azulay.

Entre 2003 e 2004 foi ao ar no Canal Futura o programa Azuela do Azulay, que contou com algumas aparições dos personagens. Entre 2006 e 2007 foi lançada uma série de minicurtas em animação para a TV Rá-Tim-Bum.

Revista em quadrinhos

De 1982 até 1984 foi publicada a revista da Turma do Lambe Lambe pela Editora Abril, que teve 20 edições. Em 2015, Ediouro lançou o Almanaque da Turma do Lambe-Lambe, em comemoração aos 40 anos da franquia.

Azulay influenciou a geração dos anos 80, que aprendeu com ele a desenhar, construir brinquedos com sucata doméstica e a importância da reciclagem e sustentabilidade em defesa do meio ambiente. Recentemente, viajava pelo mundo expondo, fazendo palestras e conduzindo workshops de arte, educação e responsabilidade social.

Edição: Fábio Massalli

Texto reproduzido do site: agenciabrasil.ebc.com.br

quarta-feira, 25 de março de 2020

Morre Albert Uderzo, um dos criadores de Asterix e Obelix

Albert Uderzo, com bonecos de Asterix e Obelix, 
em 2007. (Foto: STEPHANE DE SAKUTIN/AFP)

Publicado originalmente no site do jornal EL PAÍS BRASIL, em 24 de março de 2020

Morre Albert Uderzo, um dos criadores de Asterix e Obelix

O ilustrador e quadrinista tinha 92 anos e foi vítima de uma crise cardíaca sem relação com o coronavírus, segundo a família

Por Silvia Ayuso

Asterix e Obelix ficaram órfãos. Sobretudo Obelix, o chouchou (favorito) de Albert Uderzo, criador, junto com René Goscinny, dos dois gauleses mais famosos da história e do planeta. O desenhista morreu nesta terça-feira em sua casa, em Paris, aos 92 anos, vítima de “uma crise cardíaca sem relação com o coronavírus”, como foi obrigada a família a esclarecer nestes tempos de pandemia.

Fazia quase uma década que Uderzo (Fismes, Marne, 1927) havia entregado a terceiros o destino da aldeia gaulesa, que assumira de forma solitária após a morte de seu parceiro de aventuras e quadrinhos, o roteirista Goscinny, em 1977. Os sucessores foram Didier Conrad e Jean-Yves Ferri, autores dos últimos quatro álbuns dos personagens. “Entregar Asterix me dilacerou um pouco”, confidenciou ele ao Le Parisien no final de 2018, numa das últimas entrevistas que concedeu. Não é de se estranhar. O pequeno guerreiro de bigodes loiros e seu bojudo amigo ruivo, de profissão entregador de menires, marcaram sua vida por mais de seis décadas, desde que nasceram de seus lápis e da mente de seu amigo roteirista, numa calorosa tarde do verão de 1959, na sala de seu modesto apartamento de Bobigny, na periferia de Paris. Ninguém imaginava na época que esses personagens publicados inicialmente na revista Pilote ultrapassariam as barreiras de línguas, culturas e gerações, como demonstram os mais de 380 milhões de exemplares vendidos em 111 idiomas e dialetos.

O segredo desse sucesso? Nem ele mesmo sabia ao certo. “É como se me perguntassem a receita da poção mágica”, brincou Uderzo no jornal parisiense. Asterix e Obelix são os protagonistas de uma HQ “transgeracional, com um espírito independente”. “Reconheço que jamais consegui me explicar esse sucesso. Nunca achei que duraria tanto. René Goscinny dizia: ‘Parecemos idiotas que não sabem o que fabricaram’. Mas não teríamos conseguido nada sem trabalho. O sucesso é, acima de tudo, horas e horas de trabalho”, declarou.

Era algo que Uderzo sempre soubera. Autodidata e amante dos personagens de Walt Disney, desde muito pequeno soube que queria ser desenhista, embora a Segunda Guerra Mundial tenha adiado seus planos. Entretanto, depois do conflito, Uderzo entrou de cabeça no mundo dos quadrinhos e criou seus primeiros personagens: Flamberge, Clopinard, Zartan e Belloy, o Invulnerável… Pouco a pouco eles foram afinando seu estilo até torná-lo inconfundível, especialmente esses heróis que parecem “inflados com hélio”, como costumava dizer com carinho sobre suas criações, especialmente Obelix. Depois da guerra, Uderzo trabalhou como ilustrador para o France Dimanche e também para duas agências de imprensa, World Press e International Press, onde se encontraria com outros futuros grandes nomes das HQs francesas, como Jean-Michel Charlier e Victor Hubinon. Em 1951, isso o levou também a encontrar alguém que marcaria seu destino, René Goscinny, com quem oito anos mais tarde criaria, com outros amigos e ilustradores, a revista Pilote. Na página 20 de seu primeiro número, em 29 de outubro de 1959, aparecem as primeiras tiras das aventuras de Asterix, o gaulês. O sucesso de vendas, 300.000 exemplares no primeiro dia, era uma promessa do que estava por vir.

Depois da morte de Goscinny em 1977, Uderzo manteve a série, numa decisão que gerou certa polêmica entre os fãs que queriam o fim da coleção, mas isso não diminuiu em nada o seu sucesso comercial. Só o volume 35, o primeiro sem nenhum dos criadores originais, vendeu cinco milhões de exemplares na França.

Texto e imagem reproduzidos do site: brasil.elpais.com

domingo, 8 de dezembro de 2019

Comic Con Experience, a festa ‘geek’ milionária que arrebata São Paulo

 
Jovem faz cosplay de Coringa
 na CCXP 2019.

Publicado originalmente no site do jornal EL PAÍS BRASIL, em 07/12/2019

Ok, ‘boomers’, explicamos a Comic Con Experience, a festa ‘geek’ milionária que arrebata São Paulo

Cidade recebe até domingo a maior feira dedicada ao pop e aos quadrinhos do mundo, com mais de 280 mil pessoas

Por Joana Oliveira

Se você é um baby boomer, ou seja, daquela geração nascida entre 1945 e 1964 —ou qualquer pessoa mais velha com um discurso desdenhoso sobre os jovens e suas ideias—, provavelmente acha inimaginável passar até 40 horas em uma fila para garantir um lugar em um auditório para mais de 3.300 pessoas. Mas se você é fã de quadrinhos, séries e super-heróis, e se o auditório em questão é o do maior evento de cultura geek e nerd do mundo, que reúne seus quadrinistas, personagens, diretores e atores favoritos, a coisa muda de figura. Essa é a proposta da Comic Con Experience (CCXP), que começou na quinta-feira (05/12) em São Paulo e vai até domingo (08/12), atraindo um público de 280.000 pessoas. Nesse universo, cabem seis Maracanãs lotados com 160 horas de cultura pop, entre painéis, exibições de filmes, experiências sensoriais, sessões de fotos e autógrafos, performances e campeonatos de videogames.

Tudo começou no verão norte-americano de 1970. Ainda que o Flower Power já estivesse consolidado, o Brasil erguesse a taça de tricampeão do mundo na Copa do México e os Beatles confirmassem o fim definitivo do grupo, eram as Histórias em Quadrinhos que faziam o coração de três jovens de San Diego, na Califórnia, bater mais forte. O trio formado pelo desenhista Shel Dorf, o dono de uma loja de quadrinhos Richard Alf, e o publisher Ken Krueger resolveu criar, na sua cidade natal, um evento que deixasse os autores das HQs e os aficionados pela nona arte cara a cara. Surgiu assim a primeira Comic Con da história. O evento, por mais que não se trate de uma franquia, tornou-se um fenômeno de escala mundial, com edições na Itália, em Londres, Nova York e Argentina. Além dos comics que dão nome à festa, é lá que os fãs de cultura pop conseguem encontrar exibições de teasers (como os modernos chamam hoje trailers mais curtinhos) exclusivos de séries e filmes, vendas de artigos de merchandising e instalações imersivas dessas produções.

Foi justamente seu potencial mercadológico que fez o evento crescer e tornar-se tão importante no Brasil: este ano, 70% do público vem de fora de São Paulo. E a previsão é de que toda essa gente deve movimente R$ 265 milhões na cidade, de acordo com os organizadores. 80 marcas estão presentes no espaço, que receberá mais de 40 delegações de Hollywood para promover seus próximos lançamentos. Só os ingressos, esgotados todos os dias em 2019, dão uma dimensão do potencial econômico da nerdlândia: o passe para quatro dias custava 960 reais no primeiro lote e chegaram a 1.180 reais no terceiro e último lote, com opções premium na casa dos 8.000 mil.

Apesar de abrigar “mini Comic Cons” ao longo dos anos, foi em 2014 que o evento chegou com toda a força nas terras tupiniquins, pela mão do conglomerado de cultura pop Omelete Company. HBO, Netflix, Amazon Prime, Warner, Dinsey (que exibirá com exclusividade Frozen 2) e outras produtoras brindam os fãs com stands interativos onde eles podem “mergulhar” nos filmes com realidade virtual ou fazer fotos em um cenário de sua série favorita —como o café Central Perk, de Friends, ou o Starcourt Mall, shopping da terceira temporada de Stranger Things (este último considerado pela reportagem o melhor da CCXP). Mas a indústria nacional também está representada: o espaço da Globoplay é um dos maiores do evento, contanto até com uma arena onde atores, atrizes e influencers fazem rodas de conversas transmitidas ao vivo pela internet, e até a roleta do Silvio Santos tem um cantinho no stand do SBT. É como se você não existisse se não está na CCXP, o evento do ano para a cultura pop.

Entre os corredores da São Paulo Expo, circulam a cada dia milhares de geeks, desde os mais cosplayers —aqueles que se fantasiam e incorporam seus personagens favoritos— até os nerds mais “disfarçados”, que vão em trajes “de civil”, mas não deixam de conferir todas as novidades e, se possível, pagar até milhares de reais em um bonequinho exclusivo da história que marca sua vida. Entre as fantasias, uma das mais comuns nesta sexta edição é a dela, a dona do pedaço e do Universo, a Mulher-Maravilha. A atriz que lhe dá vida, Gal Gadot, e a diretora do filme, Patty Jenkins, são os grandes nomes desta edição, com um painel no domingo que irá adiantar aos fãs as novidades da continuação do filme.

Os geeks mais famosos fora do meio geek, no entanto, não perderam seu espaço. É o caso dos Jedis, os guerreiros do lado bom da força em Star Wars —ou Guerra nas Estrelas, em linguagem boomer—, que, este ano, podem até participar de um treinamento de batalha com duração de sete minutos, com direito a sabre de luz e certificado de formação Padawan (como são chamadas as criancinhas que treinam para se tornar Jedi). Outro grande nome deste ano é precisamente o de J.J. Abrams , diretor de A Ascensão Skywalker, último capítulo da saga. Ele participará de um painel neste sábado.

Apesar de ter crescido exponencialmente —em 2014, o público foi de 97.000 pessoas— e hoje atrair os principais nomes da indústria do audiovisual, a CCXP não perdeu seu ADN voltado para os quadrinhos: o Artist’s Alley, espaço dedicado às HQs, conta com 542 artistas divididos em 352 mesas, além das principais editoras do setor, que trazem desde quadrinistas consagrados a novos talentos, do país e de fora. Tem cultura pop para todos os gostos, é só pagar. E que a força esteja com você.

Texto e imagem reproduzidos do site: brasil.elpais.com

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

'O brasileiro não precisa de tutor', diz manifesto...

"Vingadores: A cruzada das crianças", da Marvel, 
foi publicada no Brasil em 2012 e apontada como
"imprópria" para jovens, segundo o
 prefeito do Rio de Janeiro.

Publicado originalmente no site [huffpostbrasil], em 7 de set de 2019

'O brasileiro não precisa de tutor', diz manifesto de autores contra censura na Bienal

Prefeito do Rio, Marcelo Crivella, mandou recolher exemplares de HQ com beijo gay; estimativa da Bienal aponta que 4 milhões de livros foram vendidos no evento.

By Andréa Martinelli

“Não precisamos ter quem determine o que podemos ler, pensar, escrever, falar ou como devemos nos relacionar. O brasileiro não precisa de tutor”. É com este argumento que o manifesto assinado por escritores, editores e membros da organização da Bienal do Livro do Rio se posiciona contra as “insistentes tentativas de censura” sofridas desde quinta-feira (5), quando o prefeito Marcelo Crivella mandou recolher exemplares da HQ Vingadores: A Cruzada Das Crianças, da Marvel, por conter um beijo gay entre dois personagens.

No último fim de semana, após idas e vindas na Justiça, fiscais da Secretaria de Ordem Pública (SEOP) circularem pelo Riocentro em busca de obras com conteúdo LGBT e infantojuvenis que seriam consideradas impróprias para circularem livremente na feira do livro, houve uma forte reação das editoras e leitores, que protestaram no evento e geraram movimentação nas redes sociais.

 “Se engana quem pensa que o alvo era a Bienal Internacional do Livro. O alvo somos todos nós cidadãos brasileiros, pois não precisamos ter quem determine o que podemos ler, pensar, escrever, falar ou como devemos nos relacionar. O brasileiro não precisa de tutor. Precisa de educação para que cada um possa fazer suas escolhas com consciência e liberdade”, diz manifesto assinado por 70 escritores e editores, entre eles Thalita Rebouças, Laurentino Gomes, Lázaro Ramos e Pedro Bandeira.

O texto, que defende a diversidade e a liberdade de expressão, passou a ser lido no final de cada mesa de debate na tarde do último domingo (8), data de encerramento do evento. Também foi gravado um vídeo em que 24 autores que contra a censura leem versos da canção Apesar de você, de Chico Buarque.

O manifesto também elogia as duas decisões de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli e Gilmar Mendes, publicadas também no último domingo, que impediram apreensões de livros na Bienal, determinadas pelo TJ-RJ a pedido da Prefeitura do Rio de Janeiro.

“Do contrário, se criaria uma jurisprudência que colocaria todos os eventos culturais, autores, editoras e livrarias do Brasil à mercê do entendimento do que é próprio ou impróprio a partir da ótica de cada um dos 5.470 prefeitos do País”, completa o texto.

Segundo dados divulgados pela Bienal do Livro do Rio de Janeiro, entre os dias 30 de agosto e 8 de setembro, cerca de 600 mil pessoas frequentaram o evento que, neste ano, foi realizado no Riocentro.

Estima-se que tenham sido vendidos cerca de 4 milhões de exemplares em 10 dias de evento, o que foi celebrado por editoras, em meio à situação de crise das livrarias e mercado editorial. Cerca de 5,5 milhões de livros estavam disponíveis no evento.

“Encerramos essa edição histórica da Bienal Internacional do Livro Rio com o coração cheio de orgulho e determinação. A Bienal não acaba hoje. Ela seguirá com cada um de nós todos os dias. O festival foi memorável. Deu voz e ouvidos a todos os públicos”, continua texto do manifesto. “Viva a Bienal do Livro Rio! Via a cultura! Viva a liberdade e a democracia!”, finaliza.

Leia texto completo do manifesto assinado na Bienal do Livro do Rio:

A Bienal Internacional do Livro Rio é a oportunidade que temos, a cada dois anos, para nos reunir, encontrar nossos públicos, nos inspirar e debater livremente sobre todo e qualquer tema, sem restrições e com empatia. Um evento de conteúdo qualificado e diverso, reconhecido nacional e internacionalmente como o maior festival cultural do Brasil.

Nos últimos dias, a Bienal se tornou um abrigo democrático, ao lado de 600 mil pessoas que prestigiaram o evento, contra as insistentes tentativas de censura. Se engana quem pensa que o alvo era a Bienal Internacional do Livro. O alvo somos todos nós cidadãos brasileiros, pois não precisamos ter quem determine o que podemos ler, pensar, escrever, falar ou como devemos nos relacionar. O brasileiro não precisa de tutor. Precisa de educação para que cada um possa fazer suas escolhas com consciência e liberdade.

Foi com alívio e muito orgulho que recebemos as duas decisões de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) neste domingo (8/9) impedindo que a Bienal Internacional do Livro continuasse sofrendo assédio à literatura e aos seus leitores. Do contrário, se criaria uma jurisprudência que colocaria todos os eventos culturais, autores, editoras e livrarias do Brasil à mercê do entendimento do que é próprio ou impróprio a partir da ótica de cada um dos 5.470 prefeitos do país.

Encerramos essa edição histórica da Bienal Internacional do Livro Rio com o coração cheio de orgulho e determinação. A Bienal não acaba hoje. Ela seguirá com cada um de nós todos os dias. O festival foi memorável. Deu voz e ouvidos a todos os públicos. Reuniu e celebrou a cultura junto com autores, artistas, pensadores, lideranças de movimentos sociais, pastor evangélico, monge zen-budista, jornalistas, acadêmicos, ativistas, chef de cozinha e muitos outros.

Viva a Bienal do Livro Rio! Viva a cultura! Viva a liberdade e a democracia!

Texto e imagem reproduzidos do site: huffpostbrasil.com

domingo, 24 de dezembro de 2017

Mauricio de Sousa e os quadrinhos infantis que educam



Publicado originalmente no site da revista Literatura, em 28 de agosto de 2017

Mauricio de Sousa e os quadrinhos infantis que educam

Por Caroline Svitras 

Da Redação |Imagens retiradas da revista* | Adaptação web Caroline Svitras

Mauricio de Sousa é sinônimo de sucesso em histórias em quadrinhos e em projetos diversos voltados para o entretenimento, que ele concretiza com notável capacidade empresarial. Nesta entrevista, ele fala um pouco de si, dos métodos da Maurício de Sousa Produções e muito de educação, uma de suas grandes preocupações.

Mauricio, o que você acha da educação infantil, hoje, no Brasil?

MS – Com a concorrência da internet, games e todo tipo de apelo de diversão para a criança, acredito que deveria haver maior investimento na educação através do lúdico. Só assim manteremos as crianças dentro da escola.

Seu trabalho contribui e muito para a educação — quais os cuidados que você procura ter na hora de escrever suas histórias?

MS – Buscamos sempre estar informados sobre os interesses das crianças. Acompanhamos as mudanças naturais de geração para geração. Por essa razão, acredito que sempre mantemos um público constante sem perda de atualidade. Sempre foi uma preocupação nossa fazer com que nossos personagens falassem a língua do dia. Além disso, passamos muitas informações educativas por meio de historinhas engraçadas. Também nos envolvemos em revistinhas especiais para a área de saúde, direitos das crianças, educação.

História em Quadrinhos: Os elementos de uma linguagem

As tiras mais antigas publicadas em jornal, a partir de 1959, já eram observadas por crianças ou, basicamente, o público adepto era o adulto?

MS – Meus primeiros personagens, Franjinha e Bidu, já buscavam um público infantil. Porém, suas piadinhas agradavam também ao público mais adulto. Quando criei toda a turminha, já estava bem direcionado ao público infantil. Minha primeira revista editada pela Abril, em 1970, tem as mesmas características básicas das publicadas hoje pela Panini. Mudou só o visual de alguns personagens e a linguagem, que sofre constante mutação e exige acompanhamento.

Escrevendo sobre quadrinhos

Você acredita que é possível educar e alfabetizar por meio das histórias em quadrinhos?

MS – Não só acredito como já é uma constatação. Em meus lançamentos nas livrarias, onde tenho contato direto com meus leitores, é comum algum pai dizer que seu filho aprendeu a ler com a Turma da Mônica. O lúdico sempre foi fonte de interesse da criança, e a linguagem dos quadrinhos é especial nesse caso, pois trabalha a memória visual juntamente com a de leitura. O resultado é alguém interessado em ler apesar dos programas de TV, dos videogames e outras diversões modernas que tiram o tempo de leitura. Além disso, existem diversas outras aplicações em sala de aula.

Ler histórias em quadrinhos é uma atividade de lazer. Como falar de valores e transmitir mensagens importantes sem deixar as histórias com um tom totalmente educativo, e não perder o lado divertido e descontraído?

MS – Nosso lema é, em primeiro lugar, divertir o leitor. Conseguindo isso, podemos passar para a segunda etapa, que é transmitir valores de solidariedade, educacionais etc. Uma história em quadrinhos didática demais não funciona para a memorização, pois se torna chata. Tem que ter ação e muito humor acontecendo em doses certas.

Os seus personagens são muito utilizados por professores para trabalhar valores com as crianças. Você tem essa intenção no momento da criação?

MS – Os professores são pais das crianças na escola e também querem vê-los brincando ao mesmo tempo em que estudam. É natural que aproveitem o interesse das crianças em desenho e personagens conhecidos para a criação de exercícios ligados a alguma matéria. Muitos professores nos dizem que utilizam bastante na aula de português, onde o balão (espaço onde ficam os textos) pode ser apagado e as crianças tentam colocar seus próprios textos. Isso ajuda na criatividade, no desenvolvimento de histórias e na prática do português a partir do diálogo. Não é pouco! Então, temos várias historinhas que procuram dar essa vazão ao professor e às crianças. Também temos revistas que desenvolvem temas paradidáticos de História do Brasil, Meio Ambiente, Cidadania etc.

*Revista Conhecimento Prático – Literatura Ed. 51

Adaptado do texto “Mauricio de Sousa e os quadrinhos infantis que educam”

Texto e imagem reproduzidos do site: literatura.uol.com.br

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Biografia de Mauricio de Sousa, o premiado cartunista brasileiro

Foto reproduzida do site: tvsinopse.kinghost.net
Postada por Desenhos REvistos, para ilustrar artigo.

Cartunista brasileiro - Biografia de Mauricio de Sousa.

Mauricio de Sousa (1935) é um cartunista e empresário brasileiro. Criou a "Turma da Mônica", e vários outros personagens de história em quadrinhos. É membro da Academia Paulista de Letras, ocupando a cadeira nº 24. É o mais famoso e premiado autor brasileiro de história em quadrinhos.

Mauricio de Sousa (1935) nasceu em Santa Isabel, São Paulo, no dia 27 de outubro de 1935. Filho do poeta Antônio Mauricio de Souza e da poetisa Petronilha Araújo de Souza passou parte de sua infância em Mogi das Cruzes, desenhando e rabiscando nos cadernos escolares. Mais tarde, passou a ilustrar pôsteres e cartazes para os comerciantes da região. Aos 19 anos mudou-se para São Paulo, onde trabalhou durante cinco anos no jornal Folha da Manhã, escrevendo reportagens policiais e fazendo ilustrações.

Em 1959, quando ainda trabalhava como repórter policial, criou seu primeiro personagem - o cãozinho "Bidu". A partir de uma série de tiras em quadrinhos com "Bidu e Franjinha", publicadas semanalmente na Folha da Manhã, Mauricio de Sousa iniciou sua carreira. Nos anos seguintes criou diversos personagens - "Cebolinha", "Piteco", "Chico Bento", "Penadinho", "Horácio", "Raposão", "Astronauta" etc. Em 1970, lançou a revista da "Mônica", com tiragem de 200 mil exemplares, pela Editora Abril.

Em 1986, Mauricio saiu da Editora Abril e levou seus personagens para a Editora Globo. Em 1998, recebeu do então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, a medalha dos Direitos Humanos. Em 2006 saiu da Editora Globo e ingressou na Editora Panini, uma multinacional italiana.

Em 2007, Mônica foi homenageada "Embaixadora do UNICEF". Pela primeira vez um personagem de histórias infantis recebe esse título. Na mesma cerimônia, Mauricio de Sousa foi homenageado "Escritor para Crianças do UNICEF". Em 2008 o Ministério do Turismo nomeou Mônica "Embaixadora do Turismo Brasileiro".

A publicação da "Turma da Mônica Jovem", uma linha de personagens com 15 anos de idade, vendeu em 2008, mais de um milhão e meio de exemplares, dos quatro primeiros números da revista. Nas comemorações do centenário da Imigração Japonesa para o Brasil, Maurício criou os personagens "Tikara" e "Keika", que foram incorporados às histórias da Turma da Mônica.

Hoje, entre quadrinhos e tiras de jornais, suas criações chegam a cerca de 50 países. O autor já chegou a 1 bilhão de revistas publicadas. Os quadrinhos se juntam a livros ilustrados, revistas de atividades, álbum de figurinhas, CDs, livros tridimensionais e livros em braile.

Mais de 100 indústrias nacionais e internacionais são licenciadas para produzir quase 2.500 itens com os personagens de Mauricio de Sousa, entre jogos, brinquedos, roupas, calçados, decoração, papelaria, material escolar, alimentação, vídeos e DVDs, revistas e livros. Em 2013, a "Turma da Mônica" comemorou seus 50 anos.

Prêmios - Títulos - Homenagens

Prêmio Gran Guinigi, pela revista Mônica (Itália, 1971)
Troféu Yellow Kid, o Oscar dos Quadrinhos Mundiais (Itália, 1971)
Prêmio de Literatura Infantil da ABL (Brasil, 1999)
Doutor Honoris Causa da Universidade La Roche (Pittsburgh, 2001)
Medalha do Vaticano (Washington, DC, 2004)
Homenagem da Escola de Samba Unidos do Peruche (São Paulo, 2007)
Medalha de Vermeil (França, 2008)
Prêmio Pulcinella, pelo conjunto da obra (Itália, 2011).

Personagens de Mauricio de Sousa

Turma do Bidu
Turma da Mônica
Turma do Chico Bento
Turma da Tina
Turma do Penadinho
Turma do Peteleco
Horácio
Astronauta
Turma da Mata
Papa Capim
Nico Demo
Turma do Pelezinho
Turma do Dieguito
Ronaldinho Gaucho
Turma da Mônica Jovem
Turma do Cebola Jovem

Texto reproduzido do site: ebiografia.com

domingo, 4 de dezembro de 2016

Uma breve história das Histórias em quadrinhos no Brasil


Publicado originalmente no site Litera Tortura, em 17/07/2013.

Uma breve história das Histórias em quadrinhos no Brasil.
Por Karina Piva.

Tudo o que eu sabia sobre história em quadrinhos (HQ) se resumia aos quadradinhos desenhados no final do jornal. Também sabia das coleções como Calvin and Hobbes ou 10 anos de Mafalda que também não deixavam de ser as mesmas publicações agrupadas em um livro.

Participando de um curso chamado A arte de editar um livro, tive uma aula enriquecedora sobre “Como comprar os direitos e editar HQ”, com André Conti. Editor da seção de Quadrinhos na Cia, selo da Companhia das Letras, Conti explicou-nos desde a história das HQ no Brasil até o que ele aprendeu com os artistas que publicou.

Falando apenas do Brasil, as pequenas histórias apareceram no começo do século XX no Jornal de domingo. Sua função? Fazer com que as crianças quisessem que os pais comprassem o jornal pelas tirinhas, ou seja, aumentar as vendas. Funcionou muito bem por um tempo, até que os produtores do segmento começaram a colocar críticas sociais, cenas impróprias, entre outros. Na década de 50 começou a se falar que isso era uma maneira de corromper as crianças com tanta informação adulta. Cria-se, então, um selo para proteger a inocência da infância.

Nos anos 70, a editora Abril e Maurício de Sousa criam um estúdio artístico para que quadrinhistas tivessem espaço para atuar profissionalmente. Nessa década surgiram personagens como Zé Carioca e Zorro. Ziraldo acompanhou de perto o processo, deixando que a editora Abril também transformasse seu personagem mais famoso, Menino Maluquinho, em história em quadrinhos.

Nota-se a criação de um novo segmento literário: as publicações de história em quadrinho para adultos. Marvel, Cavaleiros do Zodíaco tornam-se revistas impressas no país, em torno dos anos 90. O estilo ‘HQ’ transforma-se em algo comum e acessível.

 André Conti volta-se um pouco para seu próprio trabalho e explica que quando começou a divisão na Cia. Das Letras ele nunca havia editado uma única tira sequer.  Imerso nesse novo mundo, ele dedica-se à publicação de Romances Gráficos, ideia popularizada por Will Eisner. Seriam livros de ficção apresentados como história em quadrinhos. Aproveitou um passeio em Paris para buscar livros publicados por lá. Voltou com infinitas ideias, mas ainda queria também produzir histórias brasileiras.

Começou editando o livro Cachalote de Daniel Galera e Rafael Coutinho. O trabalho demorou dois anos, foi publicado em 2010. André Conti conta que foi descobrindo com o tempo os elementos de narrativa das histórias em quadrinho: cada traço significa uma coisa, as cores trazem uma nova interpretação e os personagens podem ser intensos. Afirmou também que foi e é muito difícil preparar as tiras.

Durante edições de algumas histórias ele comenta que é preciso ser frio no momento de dizer o que é necessário e o que precisa ser modificado. Assim como nos livros literários são necessárias diversas modificações para que a história flua e seja bem contada ao leitor. Compara o trabalho com roteirista de filmes que precisam imaginar as cenas. Explica também que se os desenhos possuem muitos detalhes, precisa fazer um livro menor com imagens grandes. Tudo é pensado, desde a capa, contra-capa, folha de rosto. ‘O livro, o quadrinho, precisa ser convidativo antes mesmo de começar a história.’ afirma André.

Ao longo da aula expôs diversos nomes de criadores de história em quadrinhos e de artistas que fazem a adaptação de clássicos para romances gráficos. Instruído e amador do que faz, nos deixou curioso sobre um lançamento próximo de uma adaptação. Vale a pena acompanhar.

Texto e imagem reproduzidos do site: literatortura.com